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"Are you ready to begin?"

(publicado originalmente em Reg Thorpe - Fornit Some Fornus)

Provavelmente o filme O Cavaleiro das Trevas (2008) é a melhor adaptação de quadrinhos de heróis para as telas do cinema. Obviamente essa opinião não é unânime e é bom que seja assim. Bom, eu pessoalmente acho que o segundo filme da franquia do Homem-Morcego dirigida por Nolan é mesmo o top dos filmes de super-heróis, mas seria um erro bem grande ignorar o longa que abriu a série do Batman, ressuscitada depois de oito anos e dois filmes ruins.
Em 2005, essa onda relativamente recente de quadrinhos que viram filmes ainda estava no começo. Já tínhamos dois bons Homem-Aranha e dois razoáveis X-Men, então ainda estava faltando alguma produção bombástica de um herói da DC. Christopher Nolan decidiu recriar toda a mitologia de Batman, aproximando o herói de sua versão original, das HQ's. Todos os quatro longas anteriores foram (ainda bem) totalmente ignorados pela nova série.
Batman Begins (2005) começa alternando entre cenas de flashback da infância de Bruce Wayne e entre sua fase de treinamento ao redor do mundo, já na fase adulta. Nas cenas que remontam o passado do herói, vemos sua ótima relação com os pais um pouco antes do brutal assassinato de ambos pelas mãos de um assaltante. No presente, Wayne é encontrado pelo enigmático Ra's Al Ghul nas montanhas do Himalaia e começa seu treinamento para ingressar na Liga das Sombras, uma misteriosa sociedade secreta de ninjas que tem papel importante através da história da civilização, ainda que obscuramente. No entanto, na sua "prova final", Bruce se recusa a executar um criminoso, com o argumento de que o seu valor à vida é exatamente o que o diferencia dos criminosos. Ao voltar a Gotham, encontra a cidade afundada em corrupção e criminalidade e chega à conclusão de que não pode fazer nada para ajudar como Bruce Wayne. Para tirar as pessoas da apatia, precisa dar um exemplo dramático. Tornar-se um símbolo. Fazer de si mesmo uma lenda.

Um dos aspectos mais importantes de Batman Begins é exatamente o cuidado que Nolan e o roteirista David Goyer tiveram em não apressar as coisas. Contar a história com os detalhes necessários, mesmo fazendo do prólogo do filme um pouco mais longo do que o normal. Além do mais, há bastante profundidade na história, sobretudo no que diz respeito à eterna questão sobre se um herói de verdade deve ou não matar. Além disso, não houve a forçada de barra dos filmes anteriores, no caso de espremer os vilões mais importantes da mitologia do Batman em um único filme. Em Batman Begins, além de Ra's Al Ghul - relativamente desconhecido do público de fora do mundo dos quadrinhos - quem tem participação bastante importante na trama é o Espantalho, que até então nunca havia aparecido em nenhum dos filmes anteriores.

O elenco também é outra coisa fora-de-série. Christian Bale não só é o melhor Batman de todos os filmes, como também é o melhor Bruce Wayne, sobretudo naquela dose de fingimento do personagem em ser um playboy milionário superficial e até meio bobo. Gary Oldman, por sua vez, não interpreta o James Gordon, ele É Gordon. Michael Caine é o primeiro Alfred depois de Michael Gough, que fez o papel do mordomo em todos os quatro longas anteriores. A personagem feminina que faz o contraponto amoroso de Wayne é Rachel Dawes, criada especialmente para o filme e interpretada pela gracinha (hoje, nem tanto) da Katie Holmes. Quem aparece pela primeira vez em um filme do Batman é o "truta" de Bruce Wayne, Lucius Fox, que tem participação importante na criação do herói. Quem faz o papel de Fox é o (desculpe!) fodástico Morgan Freeman. Quanto aos vilões, o desconhecido Cillian Murphy faz o Espantalho. O japa preferido de Eastwood e Nolan, Ken Watanabe, interpreta Ra's Al Ghul e Liam Neeson faz Henri Ducard, mas há uma ressalva quanto a isso perto do final do filme. Os personagens menores também têm atores de respeito como Tom Wilkinson e Rutger Hauer.

Embora a trilha sonora de Batman Begins não tenha se tornado tão emblemática quanto a trilha de Superman ou até mesmo do Batman de Burton, provavelmente é um dos trabalhos mais levados a sério nos filmes do gênero. Hans Zimmer e James Newton Howard formaram uma parceria perfeita e criaram uma música que alterna entre drama e ação. O tema Molossus, por exemplo, embala perfeitamente a cena de perseguição envolvendo a polícia de Gotham e um certo Batmóvel (aqui, adequadamente chamado de Thumbler). A trilha sonora é um dos poucos aspectos melhores em Batman Begins do que em O Cavaleiro das Trevas.

Resumindo tudo, Batman Begins foi, talvez, o primeiro filme de super-herói realmente levado a sério. Para se ter uma idéia, figura na lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos do site The Internet Movie DataBase, o maior do mundo no segmento.

E é um dos meus favoritos também.

Batman Begins (2005) - trailer

2 comentários

Yatta disse...

acra, admito que sinto saudades dos filems antigos (anos 80 e 90), ams, mais pela diversão que foi do primeiro, de Tim burton, do seugndo com o Pinguim e a Mulher Gato, e até de Batman forever... depois, foi sendo avacalhado totalmente... os novos, ao menos, pegam mais um lado DARK KNIGHT mesmo, e tenta deixar mais próximo da realidade, no quesito "humanidade" interna do Batman!

Augusto Fernandes Sales disse...

Concordo.

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